Dinizismo x Papitismo

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Todo mundo sabe quem é Supla. Pouca gente conhece uma música inteira. Ninguém conhece um trabalho relevante. Não faltaram tentativas. Valeu até namoro com Nina Hagen. Isso, a linda (?) garota de Berlim. No máximo, conseguiu o status de “rei dos piores clipes”, graças ao clássico refrão “Japa, japa girl”. OK, também foi o “mocinho” da primeira Casa dos Artistas, mas perdeu a decisão pra namorada. Outra que lhe deu um pontapé no traseiro, como no fim de Papito In Love 2. Fãs, é verdade, não faltam. É difícil imaginar um fracassado com tantas oportunidades e apoiadores. Ou melhor: era. Apareceu um humano que circula pra desafiá-lo, pela cidade aí afora. Seu nome: Fernando Diniz.

“De novo, Danilo? Muricy vai ficar com ciúmes”. Que posso fazer? Minha mula também teve oportunidades e fãs. Também teve fracassos. Mas, seja lá por qual crueldade do destino, teve sucessos. Bem mais de um. Diniz é só revés. Um sujeito pode cantar em dois idiomas, tocar diversos instrumentos, fazer clipes caríssimos e ser uma nulidade artística. Futebolisticamente, Diniz não é nada diferente do roqueiro platinado. A julgar pelos métodos circenses, já era complicado acreditar que, em vez de equilibrista ou palhaço, foi jogador de futebol. Na verdade, Fernando foi quase um jogador de futebol. Vestia uniforme e até entrava em campo. Especialmente quando seu técnico, Luxemburgo, queria enrolar a partida pro resto do time descansar. Seu papel era pegar a bola e não ir a lugar nenhum com ela. Exatamente como os times que treina.

Mas ai de quem metralhar, metralhar (e não morrer) Diniz na imprensa. Alexandre Lozetti ousou falar mal da saída de bola. Disse algo tão óbvio quanto a ruindade da banda Tokyo. Com mais de meio time no campo de defesa, os jogadores do ataque pegam a bola em inferioridade numérica. Justamente o contrário do objetivo. Desde então, não é escalado pra jogos do São Paulo. Após anos escravizado pachequismo (ver aqui o que significa), Lozetti ganhou a alforria forçada. Sorte dele. No seu lugar, entrou Maurício Noriega com suas narrativas. Na parte escrita do Globo Esporte, o novo fã é Eduardo Rodrigues, com muitos malabarismos pra defendê-lo dos obcecados por conquistas. Mais uma do “me ajuda a te ajudar”. Com o aval de Raí, cada vez mais firme como o Cigano Igor dos novos dirigentes.

O que não dá mais pros dinizistas dizerem é que falta sorte ao infortunado. Nem que é sorte de vencedor, pois os jogos ficaram no empate. Bragantino perdeu dois pênaltis. O Santos, time de Supla, poupou Marinho por mais de meio clássico. Contra o River Plate, os dois gols contra mantiveram as reduzidas chances de classificação. Mas sorte mesmo foi o Flamengo de Domènec ter apanhado na mesma noite. Os debates esportivos estavam quase prontos. Gastariam horas questionando como os argentinos, sem jogar desde março, pareciam mais em forma que os são-paulinos. Cinco gols depois, a pauta foi pra lata de lixo. No máximo, algumas menções depois da meia-noite. Nada que tirasse o sono do técnico ou do diretor cigano. Resta saber qual vai ser a sorte de terça-feira. A LDU sentirá os efeitos da altitude?

Como o Charada Brasileiro, Diniz é enigmático. O maior de seus enigmas é entender como cada fiasco é um passo adiante na carreira. O Audax foi rebaixado? Foi pro Athlhéthicho Pharanhaenshe. O Athlhéthicho Pharanhaenshe ia ser rebaixado? Foi pro Fluminense. Fluminense perdendo todas? Olha o tricolor paulista na área! Nessa escalada, logo vai estar treinando o Barcelona. Messi deve estar acompanhando sua trajetória. Por isso pediu desesperadamente pra sair. Sabe que tomar de 8 do Bayern não é o fundo do poço. Ser eliminado pelo Mirassol da Espanha, no Camp Nou, é que seria. E Diniz logo teria outro emprego. Provavelmente no Bayern.

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