E não sobrou mais nada

Créditos da imagem: André Fabiano / Código19 / Gazeta Press

Para quem gosta de futebol, é completamente impossível assistir às cenas lamentáveis da final da Taça Guanabara desse domingo e ficar indiferente à barbárie ocorrida no entorno do Maracanã.

As fotos de uma mãe segurando seu pequeno filho nos braços ou de pessoas correndo e sangrando geram a inevitável indagação se o esporte praticado no Brasil ainda é o mesmo de décadas atrás ou deste dos dias atuais que se joga na Europa.

De grande país do futebol, o Brasil alcançou o fundo do poço, ancorado por instituições coniventes e cartolas boçais, que convocam descaradamente o torcedor para uma “guerra” e não para uma simples partida de futebol.

Pedro Abad, presidente do Fluminense, é provavelmente um dos seres mais abomináveis do futebol atual, mas não é o único mal, pois a corrupção, o amadorismo e a barbárie tomam conta daquele que por muito tempo foi o principal lazer da massa brasileira.

Chegamos ao ponto de ter uma final de campeonato com portões fechados pela incapacidade de uma federação, dois clubes e uma Justiça chegarem ao comum acordo sobre a mera divisão dos assentos do Maracanã.

Trocando em miúdos, o Rio de Janeiro esteve por um triz de mais uma tragédia simplesmente porque não se resolveu onde cada um dos torcedores deveriam se sentar durante 90 minutos.

O pior de tudo é que isso só escancara uma realidade que engole o verdadeiro futebol brasileiro.

Foi-se a época em que os estádios estavam lotados e o que futebol ocupava espaço prioritário no coração dos brasileiros. Aliás, é provável que 99% dos jovens que moram no Brasil jamais tenham visto um verdadeiro jogo de futebol in loco, pois o que se tem aqui se parece com o verdadeiro futebol apenas pelo número de atletas dentro do campo e, absolutamente, por nada mais.

Se até pouco tempo, tínhamos doze grandes clubes no país e estádios sempre cheios para campeonatos primordiais, chegamos à péssima constatação de que o futebol brasileiro é incapaz de realizar uma simples final de campeonato.

Estádios vazios, clubes falidos, treinadores obsoletos, cartolas irresponsáveis, federações corruptas e jogadores terríveis. É a falência completa do nosso esporte.

Agora, até a humanidade do torcedor foi levada embora.

É como se não tivesse sobrado mais nada por aqui.

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