Eleições no São Paulo: cinquenta tons de amarelo

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

No quadro cada vez mais surreal do Morumbi, temos uma situação que faria Salvador Dali ficar confuso a ponto de decidir só pintar vasos. Sem oposição há anos, o SPFC passa a ser sem situação. É o que três personagens intimamente ligados ao juvenalismo querem que o sócio e também o torcedor são-paulino acreditem. Como tudo no São Paulo, são oposições “diferenciadas”. Não querem se desvencilhar dos pontos positivos (?). Pelo contrário. Querem se dizer os verdadeiros responsáveis por eles. Na verdade, seguem tão oposicionistas quanto eram em 2011, no golpe do terceiro mandato. O problema não é a cor amarela do bloco de Juvenal. É ver Leco no comando amarelado.

Até hoje, a maior desculpa para o golpe foi que, sem o caudilho no páreo, o instável Leco seria o candidato a presidente. Como se existisse alguma regra obrigando a indicá-lo, quanto mais elegê-lo. Entre os “golpetes”, lá estavam Júlio Casares, Marco Aurélio Cunha e, ainda sob o manto do avô, Roberto Natel. Três anos depois, Leco novamente foi a justificativa. Não para o quarto mandato, mas para a eleição de quem desenhou o golpe – Carlos Miguel Aidar. Desta vez, Casares e Natel estavam a seu lado. Marco Aurélio preferiu ser vice do oposicionista. Não por solidariedade a Leco, mas a si mesmo. Até que Aidar resolveu dar um golpe no golpe e tomou outro golpe – no sentido literal – em sua cara. Teve que renunciar e, numa ironia realmente diferenciada, a presidência caiu no colo de… Leco. Aquele que todos queriam longe da cadeira.

Presidente interino, Leco não teve adversários para o mandato tampão. Ou pior: teve, mas um dos tipos folclóricos que fazem qualquer um parecer melhor alternativa. Newton do Chapéu é o retrato-padrão de quem fazia parte da “oposição-oposição” (como diria Luxemburgo) no São Paulo. Uma vez eleito, Leco mostrou que pode ser incompetente para o futebol, mas não para ficar no poder. Assumiu orgulhosamente o medo para seguir pagando pelo carnaval das torcidas organizadas. Também teve o célebre “aero-Leco” em Acapulco, durante a Libertadores. Como jogada de mestre, colocou uma pedra no quase-rebaixamento chamando Rogério Ceni para estrear como técnico. Bastava não dar totalmente errado antes de abril e pronto, quase três anos garantidos. Isso porque Leco é considerado pouco esperto. Imaginem se fosse muito.

Todos tiveram participação a favor do atual alcaide tricolor na reeleição, mesmo já havendo evidências escancaradas de suas falhas. Natel foi seu vice. Marco Aurélio depositou sua confiança em vídeo. Casares deu um nó na leva de oposicionistas que pretendia ser levada a sério. Ficou de mudar de cor até as vésperas da inscrição, mas recuou marotamente. Restou o ex-presidente Pimenta com seu telhado de vidro. O inconformismo dos neo-rebeldes só veio depois, baseado numa máxima cada vez mais em voga: filho feio não tem pai. Lembra, para os estudiosos em política nacional, a incrível eleição presidencial de 1989. Mais de vinte candidatos (incluindo uma tentativa frustrada de Sílvio Santos). Nenhum a favor do governo. Nem mesmo aqueles dos partidos do governo. Não colou. Passaram longe do segundo turno. Esta é a diferença. No Morumbi, são os únicos candidatos.

Como se vê, o atual capítulo desta novela requentada, com os três apoiadores se declarando antagonistas da presidência. é uma ode à esquizofrenia. Gostam de Leco, não gostam de Leco, gostam de Leco, não gostam de Leco. Como se esperassem, para desempatar, o ressurgimento do imperador Juvenal no último episódio. Mas esse morreu mesmo. O que insiste em sobreviver é o lado escuro da Força (?), com seus guerreiros desastrados e oportunistas. Enquanto isso, os Skywalker dão WO. A grandeza do SPFC foi mesmo parar numa galáxia distante.

Colaborou Danilo Mironga

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