O day after da mentira. Mais um.

Créditos da imagem: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Por conta de um pênalti convertido ou defendido, seria recontada a História. A volta por cima do veterano daria lugar ao triunfo do novo. Nenhuma das alternativas é correta. A decisão mais apropriada seria declarar o Paulistão sem vencedores. Isso tão logo Jô converteu o pênalti estupidamente cometido. Empatou um jogo que o Corinthians perdia após um cruzamento de anos 1970. Lateral ajeitando e cruzando sem ninguém chegar perto. Enquanto isso, um outro esporte era disputado entre Barcelona, Napoli, Bayern e Chelsea. Ainda assim, nos estúdios Globo, Casagrande pedia Patrick de Paula na Seleção. Os leões de estadual seguem distantes da extinção.

Um desavisado, ao se deparar com a entrevista de Luxemburgo, acharia que o Palmeiras eliminou o Flamengo nas semifinais. Só isso explicaria mais uma declaração pachequista. Obviamente, o rubro-negro estava noutro. O único estrangeiro a ser objeto de alfinetada seria Jesualdo. Que chegou pra treinar o vice-campeão brasileiro e encontrou sobras. Se a ideia foi atingir a modernidade de Tiago Nunes e Fernando Diniz, a bobagem não se atenua. Nunes não tem o elenco do Palmeiras. Que não é tudo isso, mas tampouco nada disso. Diniz não segue modelo brasileiro, nem europeu. É apenas um Doutor Albieri, cientista louco de Glória Perez, sem Projac. Ainda assim, o orgulho nacional da Pompeia não bateu nenhum deles. Só marcou um gol. Policarpo Quaresma teria se desiludido em dez páginas. Já os policarpos da imprensa aplaudiram.

Também soa de outro planeta a visão de Tiago Nunes sobre a evolução corintiana. Pode ter acontecido, mas não sem uma pequena grande ajuda dos outros. E não falo do rival São Paulo. Ou melhor, falo. Mas não daquele jogo. O Guarani conseguiu apanhar de ambos os Botafogos – o de Ribeirão Preto e o do Jardim Leonor. Depois este último perdeu pro Mirassol escalado via Zap. A menos de um quilômetro dali, exames errados de um hospital deixaram o Bragantino sem treinar até duas horas antes da eliminação. Teve também a ajuda aviária de dois goleiros. Três, contando o “decisisvo” Weverton. “Ah, mas ficou melhor do que estava!”. Até aí, a segunda novela do Cigano Igor foi melhor que a primeira. Nem assim falaram que ele se tornou um ator. O Corinthians continua não sendo um time. O Paulistão nem foi um campeonato. Só versão global do Desafio ao Galo. Sem Jurubeba.

Podem dizer que a ESPN não seguiu a receita de exaltação. O Linha de Passe detonou o torneio e os treinadores. Mas não se anime, Pancho. São só quatro dos trocentos comentaristas. Tem a versão mais malcriada de Casagrande, Zé Elias. Fã de Luxemburgo, coloca todas as culpas nos jogadores. Sempre “porque quando eu jogava era assim”. Parou de jogar há mais de dez anos e não entendeu o que veio depois. Não deixa os outros falarem. Se precisar, berra. Com Casagrande e Neto, completa a trinca “da Fiel”. Falam o que pensam sem pensarem no que falam. Muitos torcedores se identificam. Os rasos são seus semelhantes. Futebol europeu? É aquele que só os modinhas e molecada Playstation perdem tempo vendo. No dia em que a seleção voltar a ser “raiz”, ninguém segura. De preferência, com Luxemburgo voltando. Dez anos atrás? Não. Um século atrás.

Mas tudo isso é passado. Como foi em 2019. O Corinthians levou. Técnico e jogadores foram aclamados. Uma semana depois, estavam no paredão sem Bial. E com Casagrande desdizendo Casagrande, seu eterno oponente. Em sete dias, ele pode estar falando que Torrent tem muito a ensinar aos brasileiros. Em quinze, que os brasileiros não têm nada a aprender com Torrent. Neto, Zé da Fiel e mais de meio mundo estarão nessa. Em 2020, 2021, 2022… Só depende do pênalti que entrou. Ou não.

PS: Danilo Mironga, como mostra o enunciado, é uma persona inspirada em Diogo Mainardi. A imitação barata manda um abraço ao original. É mais triste ainda ver seu genitor partir pela doença que seu site vem abordando de forma imparcial e exemplar. Força, Diogo!

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