Remorrer.

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

A melhor forma de recuperar as glórias do passado é… voltar ao passado. Assim pensa a “nova” diretoria são-paulina. Antigos devotos de Juvenal, como os tipos que se deliciavam com os causos do coronel José Inocêncio. Aquele da novela Renascer – do diabinho na garrafa, facão do corpo fechado, etc… Só não teve dinossauro na Bahia porque não era da Record. O que importa é que os seguidores de Juvenal, o não Inocêncio, não esqueceram os causos. Só não perceberam que estamos num reality show, em vez de novela. Tem hora em que é parecido, mas falta um detalhe: não tem roteiro dizendo que a bola vai entrar. Só um paredão, que de falso não tem nada, derrubando cada concorrente no Jardim Leonor.

Não bastasse a volta de minha mula, Muricy Ramalho, o presidente Casares começou o fim de semana trazendo Miranda. Dois anos na China, depois de um fim melancólico no futebol italiano. Ex-jogador em inatividade, pois não entra em campo desde novembro. Também não vem treinando, porque treinar não é negócio da China. Duvida, Pancho? Hernanes e Pato não deixam ninguém mentir. Ninguém que não receba favor pra ser chapa-branca. A tropa já veio com os causos de sempre: se jogar metade do que jogava…; veteranos trazem experiência…; deu certo com Cerezo… Devem achar que Miranda tem um diabinho na garrafa. Virou Tião Galinha, ganhando mais de um milhão por bimestre. Isso porque a palavra de ordem era “economizar”. Besteira. Ordem no galinheiro não é preocupação de quem pisa mais na bola que em grão de cacau.

Aí começou a semana e, na segunda-feira muito louca, deu tempo pra chamar de volta o capataz espiritual do coronel Juvenal. Milton Cruz, também conhecido como o guru das contratações. Deu sorte com Miranda (há 15 anos) e depois foi uma tranqueira atrás da outra. Na verdade, o caderninho era outro causo. Os empresários traziam seus trastes e suas comissões. Os dirigentes topavam e, pra “legitimar” a qualidade do contratado, diziam que o Maharishi aprovou. Nenhum jornalista o questionava, porque o leva-e-traz de Juvenal os adulava com mensagens personalizadas de Natal – não é piada e eu tenho a prova. Milton ainda tinha o apoio do coronel Abílio Diniz. Era a ponte pra que o então dono do Pão de Açúcar mandasse palpites ao treinador. “Não mexa com o Milton” – aconselhou a Leão em 2012. Leão deve ter desobedecido. Tocaia nele.

Novela Renascer (Reprodução: Memória Globo)

Na novela, o coronel de Antônio Fagundes tinha quatro filhos. Três eram mimados e imprestáveis – incluindo um playboy de meia pataca. O quarto era maltratado porque a mãe morreu no parto. Coronel Juvenal, o não Inocêncio, teve uma leva de “filhos” mimados e imprestáveis – incluindo um playboy de pataca inteira (corria – em último – de Porsche). A diferença é que o “enjeitado” da Bahia salvou a lavoura sem o pai. O de Juvenal era Leco. Quando finalmente assumiu a fazenda, transformou cacau em cocô. O que era novela de Benedito Ruy Barbosa virou um mix de Manoel Carlos (com Morumbi no lugar de Leblon) e Glória Perez. Com direito ao nosso Doutor Fernando Albieri Diniz e suas experiências tático-genéticas. Casares assumiu o texto pra matar metade do elenco num terremoto e retomar os capítulos anteriores. Como se valesse a pena ver de novo.

A torcida tricolor, acostumada a ser feita de trouxa, está eufórica. Parecem os telespectadores do Canal Viva quando anunciam mais uma novela antiga. Mas bastam umas semanas pra lembrarem como algumas já eram um saco na primeira exibição. Renascer, tal como a gestão de Juvenal, teve IBOPE glorioso no começo. Depois, com as enrolações e confusões de uma ideia já batida, já foi tarde quando acabou. Resta saber qual será a próxima reprise pros noveleiros tricolores. Aposto em Rei do Gado.

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