Sobre mais uma tentativa de reerguer a bola brasileira no grito

Créditos da imagem: Globo

A lacração global

“Tomem vergonha na cara e joguem!”. Esse é o resumo das reclamações de Galvão, Casagrande & CIA sobre a leva de maus resultados que já envergonha o futebol brasileiro. E estamos no começo de fevereiro. A culpa, segundo o comentarista, é da “falta de ginga”. A velha balela de que se pensa muito na tática e se esquece o que “só o brasileiro sabe”. Torço muito pra que, um dia, a Alemanha produza um grande desfile de escolas de samba. Só assim, talvez, o brasileiro entenda que não tem exclusividade divina pra nada. O que ele faz outros podem aprender. Viva a Acadêmicos do Chucrute!

Casagrande é um comentarista cujo principal tema virou ele mesmo. Gosta mais de falar sobre suas lutas individuais que se aprofundar no que comenta. O exemplo que dá em sua vida pessoal é o que falta na profissional. Como outros atletas aposentados, ele se garante porque esteve em campo. A grande maioria parou de jogar há dez anos – ou já eram ex-jogadores em atividade. Não vivenciaram as mudanças que ocorreram desde então. Elas tornaram praticamente impossível ganhar “no improviso”. Times como o Barcelona de Guardiola aperfeiçoaram o jogo ofensivo e também o defensivo. Inclusive porque os times defensivos tiveram que se adaptar. Ou estariam apanhando até hoje. Mas nossos ex-boleiros preferem o caminho mais curto. É mais fácil – e menos estudioso – acreditar que “é só jogar o autêntico futebol brasileiro” que ninguém segura. E como seguram…

Junta-se a Casagrande o colega Caio Pompom. Ele faz cara de conteúdo, brinca com mesa virtual, mas só pra fazer tipo. Seu verdadeiro business é ser querido pelos jogadores e ganhar a eleição entre eles, no fim do ano. O candidato Caio viu o SPFC muito bem no primeiro tempo contra o Talleres. Errado. O Talleres é que jogou muito mal. Provavelmente porque não esperava ver um time brasileiro, ainda mais um tricampeão mundial, com o centroavante marcando em sua própria intermediária. Isso é coisa de time pequeno. Coisa de Talleres. Aí veio o intervalo e o técnico desfez a confusão mental. Voltaram e levaram. Galvão, pronunciando o nome do time com língua presa (como se espanhol de argentino fosse assim), indignou-se de nooooovo. Exige que o SPFC faça uma partida de alto nível no Morumbi. Decreto de Galvão é pra ser obedecido. Só que não, amigo!!!!

Claro que o São Paulo do presente não representa a nata nacional. Anos de juvenalismo, seguidos de seu discípulo mais leso, tiraram do tricolor paulista o favoritismo em qualquer campeonato profissional. Se o SPFC disputar o campeonato maranhense, aposto em Sampaio Correia ganhando a final. Mas, mesmo fora do soberano desnudo, o futebol brasileiro constrange. A garotada da sub-20 sabe gingar. O que não sabe, porque já começaram ensinando errado, é se posicionar e se mexer como a Venezuela. Anormal não foi a seleção perder pros venezuelanos na fase final. Foi ter ganhado na primeira fase, já dominado. E Ricardinho achou que o Brasil foi bem. O pior dos ex-boleiros é que sua cegueira contamina o resto. Jornalista com diploma fica intimidado pra discordar das “sumidades práticas”. Prefere tocar de lado – como Ricardinho depois do Corinthians.

A bola brasileira começa 2019 murcha e o que a crítica produz é fantasia. Uma mediocridade puxa a outra. O telespectador merece observação, análise e conclusões com pé e cabeça. No lugar disso, a Globo oferece Encontro com Galvão Bueno e seus convidados lacradores. A diferença é que, no lugar dos convidados, quem dança no fim do programa é o torcedor.

2 comentários em: “Sobre mais uma tentativa de reerguer a bola brasileira no grito

  1. A GLOBO CONTINUA SENDO UMA EMISSORA MEDÍOCRE, COM UM NARRADOR RIDÍCULO, UFANISTA, VELHO, SUPERADO E COMENTARISTAS QUE NÃO CONHECEM O FUTEBOL MODERNO.

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