The SPFCimpsons – o técnico que “salva” o clube de si mesmo

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Num clássico episódio dos Simpsons, Homer ganhou um cargo na diretoria. Semanas depois, Sr Burns elogiou o despencar dos acidentes de trabalho. De tão encantado, ignorou o aviso do puxa-saco Smithers: a queda foi na mesma proporção dos acidentes do qual Simpson, agora longe das máquinas, era suspeito. Rogério Simpson é elogiado pelos senhores Burns por tirar leite de pedra com tantos lesionados. Danilo Smithers e alguns poucos tentam avisar que o número de lesões tem a forma de jogar como grande suspeita. Também somos ignorados e temos até sorte. Não nos enviaram à fogueira nos autos-da-fé dos devotos da piscina quebrada. Por enquanto.

O São Paulo termina o primeiro turno do Brasileirão como o pior paulista e com o maior número de empates. “Toca pro Calleri que é gol; joga na nossa área que também é gol!”. Homer Ceni é inocentado. Afinal, “todo mundo se machuca”. Não tem nada a ver, ora pois, com o desgaste decorrente da falta de: saída de bola, linhas de marcação, jogo rodado, perde-pressiona… Fora só não colocar o centroavante no campo de defesa. O Cenibol, vejam que incrível, faz o Muricybol parecer o tiki-taka. “Ah, mas quase sempre o time tem mais posse de bola!”. Realmente. Jandrei pro zagueiro, zagueiro pro Jandrei, Jandrei pro ala, ala pro Jandrei, esticão do Jandrei. Desenvoltura, só na Sula. Quando joga pela irmã da Gretchen, os adversários estrangeiros parecem os times da saudosa MTV. Com o Ceará o episódio será outro. Tome correria, Pancho.

Normal que a torcida compre o discurso pró-Simpson. Torcedores custam a entender que fã não precisa ser a vovó querida que aplaude a obra do neto. Já o jornalista deveria fazer o básico: olhar o campo. Nem precisa ver o treino. O jogo já basta pra perguntar como podem correr tão errado e reclamar que saem arrebentados. Vontade e empenho não faltam. Se o treinador mandar que cavem uma trincheira no gramado, lá vai Igor Gomes fazer um buraco como um cão obediente. Não é de hoje. Obedeciam fanaticamente quando o cientista louco Diniz mandava atacante sair com a bola, armar e finalizar. Claro que também não entenderam como o time pifou na reta final. Vou me abster de falar que vai se repetir com o Fluminense. Não tenho visto tantos jogos e vai que ele aprendeu em dois anos. Mas, se acontecer de novo, não me espantarei.

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Uma diferença entre Simpson e Dr Albieri é que este tenta fazer tudo aquilo que, há alguns anos, a nata das mesas redondas chamava de “frescura da geração Playstation”. Rogério é o contrário. Não tem nada de moderno. Por que não? Volte ao segundo parágrafo porque não curto copiar e colar. Nem mesmo dá pra comparar seu trabalho com o de Simeone. Talvez Pochettino, no sentido de ter mais crédito do que deveria. O PSG não só o mandou embora, como demitiu o gênio que sacou Tuchel pra contratá-lo. Quem? Sim, Leonardo. Culto, poliglota e incompetente como o amigo Raí – outro inocentado pelos torcedores-vovós do Botafogo do Jardim Leonor. Por isso sou contra ídolos de volta ao clube. Melhor que continuem idolatrados apenas pelo que fizeram com luvas e chuteiras. Nem sempre o desprezo é sinal de desrespeito. Pode ser proteção.

Imagino que muitos leitores nem chegaram ao meio desta coluna. Critiquei seu netinho mais fofo (até diria “literalmente”, não fosse o receio de ser chamado de gordofóbico). Talvez daqui a um ou dois meses resolvam voltar e ler o resto. A quem estou enganando? Quando for demitido, é capaz que Casares traga um sucessor muito pior. Aí, assim como Mauro Cezar Pereira e seus seguidores rubro-negros, os tricolores vão parafrasear Renato Russo em “Índios”. Terão saudades de tudo o que não viram. Melhor assistir aos Simpsons. Educa muito mais.