São Paulo – três passos para se sentir jogando num clube grande

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Comentaristas vêm adotando a retórica do “Leco, Raí, Diniz, etc… têm culpa, mas foram os jogadores que perderam pra um timeco, sem qualquer vergonha na cara!”. É verdade, porém verdades podem contar grandes mentiras. No caso do SPFC, são anos e anos de eliminações constrangedoras, com diversos elencos. Será que o clube é tão amaldiçoado a ponto de só contratar gente sem fibra? Será mesmo que a solução seria procurar um especialista em ciências ocultas? Pai Vavá como diretor de futebol? Melhor nem dar a ideia…

O problema do tricolor vem de cima para baixo. Viajando em seus devaneios soberanos, perdeu a essência da grandeza: cobrança. É o clube em que bastam duas vitórias seguidas, como antes da parada pandêmica, para dar a impressão que a temporada acabou. Nenhum jogador se sente tão pouco exigido como o são-paulino. Diretoria e torcida têm, pois sim, muito a ver com isso. A começar pelo absurdo patrulhamento de incentivo compulsório, chamando os críticos de “modinhas”, enquanto torcidas organizadas e influenciadores digitais brindam com seus favores. E o que dizer de premiação por vaga na Libertadores? Fosse há quinze anos, quando havia três (ou menos) em disputa, tudo bem. Mas com até o triplo de vagas? Nem vovó querida dá tanto presente. Tem que ganhar roupa (uniforme) e só.

Sendo assim, hoje vou além da crítica. Entrego aqui três sugestões muito fáceis para que a diretoria, em questão de semanas, mude o ambiente de confraternização que ela mesma criou.

1 – premiação, apenas por títulos – um clube que investe alto e tem problemas financeiros, não ganhando nada que preste há anos, não pode ter outro parâmetro de premiação. Ou levantam taças, ou se contentem com seus salários e direitos de imagem. Premiação por etapas é coisa de time médio ou pequeno. Nestes, um título na década é sinal de excelência, não fracasso. Outra: prever desconto na premiação, por cada clássico perdido fora ou não vencido em casa.

2 – prazos para mostrar serviço – dois anos para quem veio da base; um ano para contratações. Não importa o tempo de contrato. Se não apresentar rendimento convincente, ou ao menos sinais de evolução, não vestirá mais a camisa do clube até o fim do contrato. Ou será emprestado, ou negociado em definitivo. É importante que os técnicos estejam cientes e de acordo com esta diretriz, fundamental para agitar quem se dá por satisfeito simplesmente por fazer parte do grupo. Também serve como incentivo a contratar com atenção, para depois não ficarem com mais de uma dezena de encalhados – coisa que já acontece.

3 – fim de benesses a organizadas, donos de site, blogueiros, etc…- deve abranger os patrocinadores, com multa em caso de descumprimento. Incluiria também a proibição de ingressos mais baratos, salvo situações de extrema necessidade. Sem tais favores, teremos um incrível aumento do senso crítico destes animadores de auditório – consequentemente, de seus seguidores. É preferível ter perseguições gratuitas a apoio compulsório. O preço da grandeza é a eterna vigilância da torcida. Não aguenta? Jogue num clube menor, com torcedores simpáticos e acostumados a perder com um sorriso no rosto.

Deixo claro que estas três medidas singelas, isoladamente, não serão os produtos Tabajara no Morumbi. Nem todos os problemas acabarão. Mas, retirando este entrave na competitividade, colocará o time na mesma realidade dos adversários. Quando um time entra em campo na base do “tanto faz”, contra um no clichê galvânico de “ir na bola como se fosse um prato de comida”, é preciso ser extremamente superior para não levar uma rasteira. Só “muito” não adianta. O Mirassol, com seu esquadrão mambembe, que o diga.

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