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Gabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.
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Carille deve ser cobrado e coloca a conquista em risco ao preferir “morrer abraçado” a Jadson e Romero

Sem dúvidas, Carille é o maior responsável pelo Corinthians ser o líder destacado do Brasileirão. Mas nos últimos tempos tem sido mais real do que o rei e deve ser cobrado como quem está escolhendo o caminho mais difícil nessa reta final do que parecia ser simplesmente uma rota tranquila rumo à consagratória taça.

Após uma sequência tenebrosa de três derrotas e um empate no começo deste segundo turno, o Corinthians conseguiu estabilizar a situação graças a duas duras vitórias em casa (contra Vasco e Coritiba), dois empates como visitante (enfrentando São Paulo e Cruzeiro) e os deslizes de seus principais adversários. Essa melhora do desempenho corintiano veio pelos pés de Clayson, que tinha feito quatro gols nas últimas três partidas.

E o que faz Carille contra o Bahia? Permite a Clayson atuar por apenas por cerca de 25 minutos, entrando aos 23 minutos da etapa complementar. Tudo isso para deixar em campo Romero, que vem sendo quase inoperante ofensivamente e não marca um mísero gol há mais de quatro meses, desde 11 de junho, na vitória por 3 a 2 contra o São Paulo, pelo primeiro turno.

Isso se soma à inexplicável insistência com Jadson, que embora seja um excelente jogador, desde que se lesionou contra o Avaí, no fim do primeiro turno, nunca mais retomou o nível. Invariavelmente o conjunto alvinegro atua melhor depois que Marquinhos Gabriel entra em seu lugar.

Ou seja, resumidamente, o ainda líder do campeonato vem iniciando todas as partidas com praticamente dois jogadores a menos. E ainda quando tem um destacado “herói” nas últimas partidas -Clayson- este nunca assume a titularidade.

Que meritocracia é essa? Carille prefere morrer abraçado a Jadson e Romero? Até quando? E ainda expõe desnecessariamente dois atletas que foram fundamentais para a equipe estar onde está, mas que simplesmente não vivem bom momento.

A insistência previsível e não justificada com Camacho é outro mistério. Em todas as partidas Carille tem insistindo com o volante que, supostamente, melhora a saída de bola corintiana. Eu, ao menos, não percebo tal melhora, e identifico apenas a instabilidade e abalo na confiança de Gabriel e de Maycon, que vem piorando de nível desde que Camacho se tornou a principal aposta do treinador para enfrentar qualquer situação colocada para o time.

Outrora mortal como visitante, a equipe do Parque São Jorge não vence fora de casa há quase dois meses, com um inesperado gol de Jô já quase nos acréscimos, quando bateu a Chapecoense por 1 a 0. Em casa, suou frio e contou com polêmicos lances de arbitragem nas vitórias contra os frágeis Vasco e Coritiba.

Na próxima rodada, em xeque e com a confiança abalada, o líder receberá o perigosíssimo Grêmio. Se perder para o Tricolor Gaúcho, o Corinthians se verá a apenas seis pontos dele, e em viés de baixa. E isso para não falar no maior perigo: o Santos, vice-líder até o começo desta rodada, poderá ficar a apenas quatro pontos.

Enfim, já passou da hora de o Corinthians se aproveitar unicamente dos tropeços dos rivais, passar a se questionar e enfrentar o conservadorismo que pode fazer com que perca vexatoriamente o Brasileirão mais ganho dos últimos tempos.

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Análise: coroando uma carreira de altos e baixos e grandes feitos, Jô merece mesmo a Seleção

Jô é um desses jogadores que por  viverem altos e baixos -muito mais relacionados a questões emocionais do que técnicas- não têm o crédito que merecem.

Ao longo de 14 anos de carreira profissional, foi construindo uma carreira sem muito alarde, mas com grandes feitos que foram passando despercebidos. Agora, vivendo o auge da carreira e demonstrando uma grande maturidade, Jô vai conduzindo o surpreendente líder Corinthians em uma rota que parece levar à conquista do Campeonato Brasileiro. Hoje, venceria o prestigiado prêmio Bola de Ouro, como o melhor jogador do campeonato.

Se isso realmente se confirmar, e Jô for a principal liderança técnica de uma conquista de equipe tão popular, em uma competição tão importante, creio que finalmente o valor desse raro centroavante será definitivamente reconhecido.

Um de seus feitos veio logo que surgiu entre os profissionais: aos 16 anos, tornou-se o jogador mais jovem a atuar e a marcar um gol pelo Corinthians -um dos maiores clubes do mundo e que tem mais de 100 anos de história. Apareceu e seguiu no clube sem ser uma grande promessa, ou joia badalada, como segundo atacante, mas desempenhou bom papel no título brasileiro de 2005.

Depois disso, foi vendido para o CSKA da Rússia, ainda sem badalação. Até que, no meio de 2008, foi contratado pelo Manchester City no que foi a então maior transação da história do clube, por US$ 37 milhões. Nessa mesma época, fez parte da campanha brasileira que chegou à Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim (na qual marcou dois gols). Mas a passagem pelo clube foi um fiasco, e hoje o atleta diz que se deslumbrou nessa fase.

Veio então um período tenebroso na carreira, com breves passagens por vários clubes, até o fundo do poço que foi a dispensa por indisciplina no Internacional, em 2012. Logo em seguida, foi para o Atlético Mineiro de Cuca e Ronaldinho Gaúcho, onde se encaixou logo de cara e viveu grande fase, conseguindo mais um feito: teve papel muito importante na inédita conquista da Libertadores pelo Galo, em 2013.

O bom desempenho na Galo o levou à Seleção Brasileira de Felipão, onde foi reserva de Fred na conquista da Copa das Confederações de 2013 (na qual também marcou dois gols) e na disputa da Copa do Mundo de 2014 (que acabou “queimando o filme” de quase todos os convocados, ou seja, nenhum deles pode ser responsabilizado).

Depois disso, nova queda. Passou a ser pouco utilizado no Galo, até ir “se esconder” nos Emirados Árabes Unidos e na China.

Quando foi anunciado pelo Corinthians para a temporada 2017, parecia quase um ato de filantropia do clube alvinegro. Mesmo em se tratando de um “jogador de Copa do Mundo” na flor da idade, poucos cogitavam ao menos a possibilidade de que viesse a jogar bem. Mas hoje vem sendo a única coisa que faltava em sua carreira: protagonista de um time vencedor.

Tecnicamente, Jô é um centroavante raro: alto e veloz, não faz feio fora da área, é excelente cabeceador, marca e recompõe defensivamente e faz um trabalho de pivô de excelência mundial. É completo, e ainda gosta de jogos grandes. Na atualidade, não vejo nenhum nome melhor para ser o camisa 9 reserva da Seleção. E pensar que é um jogador que já atuou em três continentes, campeão da América e com experiência de Olimpíadas e Copa do Mundo, só reforça como deveria estar entre os convocados.

Concorrentes como Jonas, Firmino e Diego Souza não possuem as mesmas credenciais. Diego Tardelli infelizmente optou por atuar na China, longe da competição em alto nível. Fred, Ricardo Oliveira e Luis Fabiano parecem sentir a idade e entrar na fase descendente. Se Jô continuar tendo o protagonismo que vem tendo em 2017, sua presença entre os convocados me parece mandatória. E uma eventual conquista do Brasileirão deverá colocá-lo finalmente no patamar em que merece. A ver.

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Palpites da 26ª rodada do Brasileirão 2017

Vasco x Chapecoense
O surpreendente cruzmaltino deve vencer mais uma para se distanciar da briga contra o rebaixamento, que neste Brasileirão surrealmente envolve mais de metade dos times da competição, incluindo a rival catarinense.

Bahia x Coritiba
Outro confronto direto contra o rebaixamento. Embora este Bahia tem costumado fraquejar quando se acredita nele, vejo mais três pontos na conta do Tricolor de Aço.

Palmeiras x Santos
O jogo da rodada! Confronto direto entre os dois times que mais vêm se apresentado como opção ao líder Corinthians para uma eventual disputa pelo título. Embora o Santos tenha um sistema defensivo muito sólido e seja difícil de ser batido, jogando em casa e se aproveitando da ausência de Lucas Lima, o Palmeiras deve vencer.

Botafogo x Vitória
Duelo entre duas das melhores equipes do returno (o Bota é líder e o Vitória é o quinto). O drama do atacante Roger (afastado da temporada por um tumor renal) pode afetar, mas vejo o time da Estrela Solitária bem determinado para crescer no Brasileirão. Vitória alvinegra.

São Paulo x Sport
O jogo mais dramático da rodada. Enquanto o São Paulo precisa aproveitar sua penúltima oportunidade de jogar no Morumbi, o Sport – lanterna do returno – precisa dar sinal de vida após o que vem parecendo o caminho rumo ao descenso.  Apesar de o Leão da Ilha ter mostrado reação contra o Vasco, mesmo com um a menos, vejo vitória tricolor.

Cruzeiro x Corinthians
Apesar de imprevisível, o campeão da Copa do Brasil deve ser um bom adversário para o fragilizado líder Corinthians (sem Jô), pois é difícil manter o foco após uma conquista como a da Raposa no meio da semana passada. Arrisco no empate.

Grêmio x Fluminense
O Tricolor dos Pampas parece uma espécie de Highlander (e Imortal como tal) neste Brasileirão: apesar de frequentemente jogar sem força máxima e por isso algumas vezes ter sido preterido por outros times como alternativa ao líder Corinthians, pode acabar voltando rapidamente ao posto. Terá pela frente um Fluminense em queda, e que vem sendo um freguês gremista nesta temporada. Mais uma vitória dos mandantes.

Avaí x Atlético Goianiense
Outro confronto entre times que lutam (embora os goianos talvez nem lutem mais) contra o rebaixamento. O Avaí é o terceiro colocado do returno e deve vencer mais uma.

Atlético Paranaense x Atlético Mineiro
Duelo imprevisível entre duas equipes instáveis. Empate.

Ponte Preta x Flamengo
A Macaca vem em queda livre, e enfrentará um Flamengo de ressaca pela perda da Copa do Brasil. Mesmo assim, vitória rubro-negra.

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Palpites da 25ª rodada do Brasileirão 2017

Flamengo x Avaí
Os catarinenses fazem a segunda melhor campanha do returno (no qual são os únicos invictos, aliás) e devem enfrentar um rubro-negro reserva, de olho na finalíssima da Copa do Brasil. Vitória do time do Guga, o Avaí.

Santos x Atlético Paranaense
Duelo com ares melancólicos na Vila após a surpreendente eliminação santista na Libertadores. Mesmo assim, jogando em casa e ainda com alguma expectativa de título, acredito em vitória do Peixe contra o instável Furacão.

São Paulo x Corinthians
O jogo da rodada! Por mais bizarro que seja isso ao observar a tabela, será um duelo entre duas equipes pressionadas e sem confiança. Como jogará em casa e estará apoiado por uma surpreendente torcida que vem carregando o time nas costas (junto com Hernanes), o tricolor tem tudo para bater um líder que vem mostrando muitas dúvidas no rosto.

Fluminense x Palmeiras
O Flu não engrenou durante todo o Brasileirão e agora jogará todas as fichas na Sul-Americana, na qual vem de classificação heroica contra a LDU e enfrentará o arquirrival Flamengo. Mas ainda precisa se afastar do Z4. Já o Palmeiras joga uma das últimas fichas caso ainda tenha alguma expectativa de brigar pelo título. Empate.

Coritiba x Botafogo
O Coxa vem ladeira abaixo na competição e terá pela frente nada mais, nada menos, do que o líder do returno. Embota o Bota venha de uma frustrante eliminação na Libertadores que tanto o motivava, creio que Jair Ventura saberá dar andamento à boa fase da equipe no Brasileirão, e tratar de garantir mais três pontos para disputar novamente a Libertadores no ano que vem.

Atlético Goianiense x Cruzeiro
É surreal, mas, discretamente, o lanterna goiano já faz a quarta melhor campanha do returno. Contra uma Raposa reserva e completamente voltada à finalíssima da Copa do Brasil, o Atlético Goianiense deve ficar com mais uma vitória.

Chapecoense x Ponte Preta
Confronto fraco entre dois times que prometeram mais, mas há tempos se arrastam no Brasileirão e estão a um passo de entrar no Z4. Empate.

Atlético Mineiro x Vitória
Sob o comando de Vagner Mancini o rubro-negro baiano vinha reagindo bem na luta contra o rebaixamento, mas a derrota em casa para o São Paulo, adversário direto, deve colocar um freio nisso. Já o Galo é simplesmente a maior decepção do campeonato até aqui, não viveu absolutamente nenhum momento de brilho. Empate.

Bahia x Grêmio
Na luta para se manter na primeira divisão, o Tricolor de Aço deve bater o adversário gaúcho, que jogará com os reservas e de ressaca pela classificação para a semifinal da Libertadores.

Sport x Vasco
O Leão da Ilha vem ladeira abaixo e, quem diria, pode pintar em breve no Z4. Já o Vasco vem surpreendendo, e deve se aproveitar da crise no time de Luxemburgo para conquistar mais uma vitória.

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Pacaembu

Vamos falar como adultos sobre a concessão do Pacaembu?

Nas últimas semanas li alguns artigos abordando de maneira infantil e sensacionalista o que chamam de “privatização” do Estádio do Pacaembu. Certamente a escolha do termo não é uma coincidência, e é usada justamente para aumentar a carga dramática em cima do que é, de fato, uma concessão.

É sabido que no Brasil se convencionou tratar por “privatização” o bem público que tem sua posse definitivamente transferida para a iniciativa privada, ao passo que a “concessão” é a propriedade estatal que passa a ser administrada e explorada por um período determinado por um agente privado, retornando ao poder público em seguida.

Portanto, sendo contrário ou favorável ao modelo proposto para o Pacaembu, recomendo atenção redobrada com quem “inocentemente” fala em “privatização” do estádio.

Evidentemente o tombamento não é um impeditivo para reformas, especialmente quando se fala em demolição do tobogã. O Pacaembu é tombado não por causa do ordinário tobogã (anexo construído em 1970 em substituição à belíssima concha acústica) ou mesmo pelo interior, mas sim pela fachada de inspiração fascista – estilo marcante no Estado Novo -, de autoria do arquiteto Ricardo Severo. Isso é tão elementar, que basta ver os exemplos dos semelhantes, igualmente protegidos e remodelados Estádio Olímpico de Berlim e Soldier Field, em Chicago.

Estádio Olímpico de Berlim, após renovação. Imagem: pingallery

 

Ao mesmo tempo em que apelam (sem razão) ao tombamento como justificativa para que o equipamento se mantenha ultrapassado, chegam ao cúmulo de reclamar da possibilidade de poder receber shows. Isso justamente em um estádio que foi projetado para ser uma “arena multiuso” na época, não apenas com eventos esportivos, mas também culturais, tanto que contava até com a concha acústica para isso. Ou seja, para quem finge se importar com a história, seria de se louvar que o estádio recuperasse sua vocação original e se tornasse mais ativo no dia a dia da cidade, e não ocioso como hoje.

Evento cultural na inauguração do Pacaembu, em 1940. Imagem: Hildegard Rosenthal

Evento cultural na inauguração do Pacaembu, em 1940. Imagem: Hildegard Rosenthal

A verdade é que, infelizmente, o Pacaembu se tornou um elefante branco desde que o Corinthians inaugurou sua arena, em 2014. No ano seguinte, por exemplo, abrigou apenas 13 partidas. Ou alguém assume o mais clássico estádio paulistano, ou ele continuará defasado, subutilizado, onerando os cofres públicos e reduzido a parque/clube para os endinheirados moradores do entorno.

Aliás, tem muito jornalista metido a justiceiro social que vem com conversinha demagógica de “população de baixa renda que usa as instalações esportivas do complexo” e desconsidera sua localização, em meio a um dos bairros mais elitistas da cidade, residencial, ainda sem metrô e em um relevo acidentado que dificulta a caminhada. Quem de fato se preocupa com a população carente defende a instalação de clubes onde ela mora, não a obrigando a cruzar a cidade e gastar com transporte para utilizar como mera recreação um equipamento esportivo de ponta, profissional, com custos altíssimos de manutenção.

Elitista mesmo é fazer coro ao lobby das influentes associações de moradores da área, que de um jeito ou de outro, vêm conseguindo barrar shows no estádio. Algumas delas são do tipo que foram corretamente desmoralizadas há alguns anos quando seus representantes (que não representam a imensa maioria de moradores da área) falaram contra uma estação de metrô na região porque “traria uma gente diferenciada (pobre)”. É bom lembrar que desde 1935 aquela área foi destinada a receber grandes eventos, e mesmo assim, esses grupos conseguem impedir atividades que ocorrem normalmente em estádios de outras zonas.

Soluções pueris lançadas como salvadoras por pessoas sem vivência em gestão esportiva, como abrigar campeonatos de várzea ou rúgbi, são absolutamente irresponsáveis e deveriam fazer corar qualquer um que queira discutir o assunto seriamente.

Enfim, aquele Pacaembu “Maracanã paulistano” de meados do século passado, ou a casa corintiana de até poucos anos atrás, morreu. A questão é entre discutirmos maduramente os termos da concessão para definir o que queremos para as próximas décadas, ou se preferimos condenar o estádio mais charmoso de São Paulo a ser um monumento à ineficiência, financiado compulsoriamente pelos contribuintes para ser (aí sim) “privatizado” para seus poucos usuários.

 

– Leia também: “Elitização” não está destruindo o futebol brasileiro

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Primeiro jogo foi como o cauteloso Cruzeiro quis. Mas a finalíssima tem tudo para ser mais empolgante

É verdade que finais costumam ser tensas e mais estudadas, mas a partida de ida da final da Copa do Brasil, Flamengo 1 x 1 Cruzeiro, no Maracanã, foi realmente decepcionante. Poucos lances de perigo, erros de passes, bolas rifadas ou queimando nos pés… tanto que os gols vieram de um lance irregular – impedimento no gol flamenguista – e de uma falha individual, do goleiro Thiago, no empate cruzeirense.

Ambas as equipes tiveram importantes desfalques, mas a cada partida que assisto, mais reforço a convicção de que Corinthians e Grêmio, mesmo tendo sido eliminados da Copa do Brasil, estão mesmo um nível acima dos demais no país.

Apesar disso, a finalíssima tem tudo para ser muito mais emocionante. O Cruzeiro foi ao Maracanã para especular, com uma postura mais cautelosa, e ninguém poderá fazer isso na partida de volta. Enquanto o time celeste será mandante, o Flamengo não costuma ser conservador, e a vitória será necessária para quem quiser ser campeão. Fora que jogadores decisivos deverão estar em campo: além de Thiago Neves, Rafael Sóbis e Diego, que começaram a partida no Rio, Guerrero estará de volta, e Arrascaeta deverá ter recuperado o ritmo de jogo e a titularidade para a partida de Belo Horizonte.

Um palpite para o jogo de volta? É bem complicado, penso que esta é uma final sem favoritos mesmo. No jogo pelo Brasileirão, por exemplo, 1 x 1 no Mineirão, o Flamengo foi melhor. Mas como o primeiro jogo da final ficou com a cara que o Cruzeiro quis dar, penso que a ausência de Éverton Ribeiro no Fla, o fator casa e a falta do gol qualificado (que poderia deixar a Raposa titubeante) fazem os mineiros terem um pouco mais de chances de ficar com taça.

Rapidinhas:

  • A maior mudança do Flamengo com Rueda é o ganho de confiança de Berrío. Desde a chegada do treinador colombiano, o vigoroso atacante vem sendo o jogador mais agudo e disposto desta equipe que costuma ter muito a bola e não saber o que fazer com ela.
  • Fábio é um dos goleiros mais históricos e vencedores do Brasil nas últimas décadas. É simplesmente um absurdo que, entra técnico, sai técnico, ele sequer seja chamado para a Seleção, enquanto Muralhas, Wevertons e Alissons (mesmo quando reserva da Roma) têm oportunidades em cima de oportunidades.
  • Como é melhor ver um jogo decisivo sem o saldo qualificado, não? Se tivesse aquela história de o gol fora de casa valer mais, provavelmente veríamos o conjunto de Mano Menezes se resguardando como fez, só que um rubro-negro mais receoso de atacar sem parar. Ou seja, uma partida ainda mais amarrada.

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Quando vamos levar realmente a sério a possibilidade de o São Paulo cair?

Já na nona rodada, em 21 de junho, após a derrota por 1 a 0 para o Atlético Paranaense, o São Paulo ficou apenas um ponto acima zona de rebaixamento. Na 11ª rodada, 2 de julho, batido pelo Flamengo por 2 x 0, o Tricolor do Morumbi entrou no Z4 e viu a queda de seu então (e novato) treinador, Rogério Ceni.

Desde então, vejo quase todos (e eu me incluo) dizerem em uníssono que “logo o São Paulo sai desta situação”.

Primeiro a esperança era depositada na chegada do experiente e competente Dorival, substituindo um suposto “treinador quase amador”. Resultado: apenas uma vitória nas quatro primeiras partidas no comando da equipe.

Até que na 17ª rodada, em 29 de julho, na estreia de Marcos Guilherme e, principalmente, do Profeta Hernanes, finalmente veio o alívio: vitória épica sobre o Botafogo, de virada, em pleno Engenhão, com direito a três gols dos estreantes. Ali, todos tiveram a certeza de que, enfim, o  Time da Fé engrenaria e deixaria aquele lugar da classificação que “simplesmente não lhe pertence”.

E o que aconteceu depois disso? Três derrotas, uma vitória e um empate. Quatro pontos de quinze disputados, aproveitamento de 27%, igual ao obtido em todo o campeonato, até aqui, pelo lanterna Atlético Goianiense.

É justamente essa sensação de que a ameaça de cair não é séria, que faz com que o fantasma do rebaixamento seja seríssimo pelos lados do Morumbi. A ideia de que, como por mágica, em algum momento tudo simplesmente “voltará ao normal” e fará com que o São Paulo volte ao “seu lugar de direito”. Além do mais, o elenco tem nomes badalados como Rodrigo Caio, Jucilei, Cueva, Hernanes e Lucas Pratto. Fora que o treinador é um dos bons do país. “Não é para cair”.

Bom, não vou nem entrar no mérito de que alguns desses, como Cueva, Jucilei e Rodrigo Caio, simplesmente parecem não conseguir mais jogar bem. Mas e o resto? Alguém vê nos demais jogadores qualidade ou história que sejam muito diferentes das dos times que lutam com o tricolor pela permanência na Série A? Eu não.

Já se vai quase um turno de sufoco, o time consegue dar um jeito de perder até quando joga bem, e não consigo sentir no grupo o preparo para lidar com a adversidade e passar a vencer nem que seja na marra.

O único consolo são-paulino até aqui tem sido a torcida. Quando menos se esperava, ela passou a lotar o gigantesco Morumbi e se fazer fortemente presente até em treinos. Tem muita torcida com bem mais fama que não fez tanto em momentos parecidos.

Porque fora isso…

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Errado como nunca vi igual, Palmeiras de 2017 jogou no lixo a reconstrução dos anos anteriores

Não me lembro de ver um trabalho tão errado em um clube como o do Palmeiras neste ano. E não serei oportunista: é fácil escrever estas palavras depois da frustrante eliminação da Libertadores pelo Barcelona de Guayaquil, sendo que não identifiquei boa parte desses erros quando foram cometidos. Mas hoje eles podem ser vistos com nitidez.

Desde que Paulo Nobre assumiu a presidência do Palmeiras, em 2013 – logo após mais um rebaixamento à Série B do Brasileirão -, o machucado alviverde veio se reconstruindo como potência, tijolo a tijolo, até chegar ao auge sonhado para este ano: primeiro veio o trabalho de estabilização financeira e modernização do clube, além do acesso à Série A; 2014 viu uma suadíssima permanência na elite e, no seu finalzinho, o sonho do novo Palestra Itália; em 2015 teve início a fase da “colheita”, com a construção da base de um elenco forte (sob a batuta do badalado Alexandre Mattos) a volta da autoestima e, de brinde, o título de uma surpreendente Copa do Brasil; 2016 teve a afirmação nacional, com a conquista de uma competição de primeira grandeza depois de 17 anos e o xodó Gabriel Jesus na Seleção.

O ano de 2017 veio para ser a consagração palestrina. Com essa base, a torcida lotando o Allianz Parque em todos os jogos e a possibilidade de receber reforços milionários da Crefisa, esperava-se nada menos do que um “Império Verde”.

Mas tudo o que vimos foi o o destruição de parte do trabalho realizado nos anos anteriores. A seguir, uma lista dos pecados capitais palmeirenses:

Técnico
O único atenuante para o Palmeiras em 2017 é que Cuca estranhamente não quis prosseguir na virada do ano. Seria difícil para qualquer um substituir o treinador que se tornou ídolo. Mas o escolhido não poderia ser uma aposta, como Eduardo Baptista – e isso eu já percebia na época -, afinal, a cobrança seria enorme. A contratação de medalhões, como Felipe Melo e Michel Bastos, só agravou isso. Apostas são para momentos em que não há maiores perspectivas, como o Corinthians fez com Carille neste ano. Para suportar a pressão de expectativas altas, é necessário alguém com as costas largas.

Destruição da base campeã
O Palmeiras terminou 2016 com um time titular muito bem definido. A única perda foi Gabriel Jesus. Pronto, era só contratar um substituto para ele, como Borja. Mas a contratação de nomes como Felipe Melo, Michel Bastos, Guerra, Willian e Keno só serviu para provocar instabilidade e “desconstruir” o time campeão brasileiro. A cada má atuação, o jogador era substituído por uma badalada alternativa, em uma eterna busca do time ideal. Isso foi minando a confiança e impossibilitando a definição de um time titular. Até os outrora ídolos estão contestados.

A solução é sempre trazer alguém
O elenco já era farto, mas mesmo assim, a cada problema a ideia era só abrir a carteira e trazer mais alguém. Vitor Hugo não repetia as atuações de 2016? É só trazer o jovem Luan! Os vários volantes não se firmam? É só contratar Bruno Henrique! Borja não engrenou? Então compra o Diego Souza! Não deu? Traz o Deyverson! O que o rival Corinthians fez, recuperando nomes como Romero, Rodriguinho e Jô, deveria servir de lição.

Falta de hierarquia
Apesar de tantas contratações, poucas são de jogadores extra-classe. Ao contrário do Flamengo, por exemplo, que contratou nomes como Diego, Éverton Ribeiro e Guerrero, que seriam titulares indiscutíveis de praticamente qualquer time brasileiro, o Palmeiras contrata muitos bons jogadores, mas sem nada de especial.

Oba-oba
Cada jogador contratado pelo Palmeiras parecia se tornar um craque. Não importa que Michel Bastos era reserva no São Paulo ou Willian reserva no Cruzeiro, todos se transformavam em “excelentes opções” com o verniz milionário do “Real Madrid das Américas”. O promissor Keno veio tratado como grande jogador. Para ilustrar, Pottker (artilheiro do Brasileirão passado e eleito craque do Paulista deste ano) foi discretamente para o Inter. Clayson (eleito revelação do Paulista) foi para o Corinthians e todos continuaram a dizer que “o Corinthians não tem elenco”. Tivessem ido para o Palmeiras, não seriam vistos como “opções de luxo”?

Apelações irracionais
A partida contra o Barcelona foi constrangedora. Desesperados chuveirinhos na área, tentativas de simulação de pênalti, superstições, catimba de Jailson nos pênaltis etc. Só faltou “tapa na cara de uruguaio”. Jogar bola que é bom, nada! Aliás, nesse sentido o Palmeiras involuiu desde a saída de Eduardo Baptista: o futebol da equipe era melhor com ele.

Aprender com esses erros é fundamental para que não sejam repetidos no futuro.

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José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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