Como se fosse a primeira vez – o mesmo personagem, a mesma conclusão: fora, Rogério!

Créditos da imagem: Alexandre Schneider/GettyImages

Vinha escrevendo a minha coluna 300* pensando num apanhado de pontos que soavam polêmicos e, hoje, parecem até ortodoxos. Resolvi descartar, perante a oportunidade de retomar, na tricentésima publicação, o tema da estreia. O convite inicial do site foi exatamente para falar de Rogério C como técnico do SPFC. Falei de sua dificuldade por não ter, naquele momento, os requisitos para fazer o que propunha. Nem estudara o suficiente, nem mostrara intuição para queimar etapas. Demitido sob ameaça de rebaixamento, passou por três clubes e voltou, sob estranhas circunstâncias, ao Morumbi. Trezentas colunas e quatro anos depois, mudou o mundo (e como), mas nada de ele mudar. Pelo contrário.

O sucesso no Fortaleza fez parecer que encontrara o Norte. Ganhou até indulgência coletiva em sua passagem pelo Cruzeiro, mesmo com escalações mutantes e sem nexo. De volta ao tricolor cearense, entrou para o rol dos “melhores técnicos do Brasil da última semana”. Uma turma não tão seleta, mas um passo adiante que atraiu o melhor time do país. Entrou na Gávea anunciando ser Jesus reencarnado. Evidentemente, não era. Um remendo na defesa (Arão recuando) deu um gás para que, após eliminações nas Copas, o Flamengo arrancasse até o título brasileiro, a despeito do tombo na chegada. Precisando vencer um destroçado SPFC, mais uma vez foi derrotado e contou com um tropeço colorado. Campeão, mas sob desconfianças (de torcedores e comentaristas uniformizados) que seguiram na temporada atual, até finalmente ser convidado a se retirar.

Sabia-se que era questão de oportunidade para ser chamado pelo clube onde foi mito – e que nunca venceu como treinador. Usado por Leco como trunfo político, Rogério C deixou claro que só voltaria com um presidente que repudiasse o antecessor. Isso não foi problema. A dificuldade era tirar o vencedor da “Copa do Mundo” estadual. Crespo também é iniciante e seus métodos só deram certo no Paulistão. Mas, afinal, cumpriu a ordem dada – a ponto de poupar atletas em jogos de Libertadores. Uma gestão equilibrada aceitaria o preço e o manteria até o fim do ano, para reavaliação. Só que SPFC precisa de muito dinheiro, venha de onde vier. Vaga em Libertadores é dinheiro. Risco de Série B, não. Foi a deixa para “agradecer” ao argentino e contratar Rogério C em tempo recorde – para quem realmente for trouxa de acreditar que nada estava sendo negociado antes.

Passado o período de superconcentração pela mudança de técnico, dentro do qual o São Paulo venceu Corinthians (em péssimo jogo de espera de Sylvinho) e Internacional (poupando para o Gre-Nal), Rogério foi firme no caminho de quem parece ser seu verdadeiro mestre: Paulo Cesar Carpegiani, com suas máquinas voadoras que não saem do chão. Seu fetiche atual é o 3-5-2 com um canhoto na ala direita. A última tentativa foi com Gabriel Sara. Logo ele, cujo posicionamento mais centralizado parecia um dos poucos acertos do treinador. O SPFC chegou à Arena do Grêmio pensando em G8 e só não saiu temendo Z4 porque outro tricolor, o Bahia (agora com Guto Ferreira, outro promissor que ficou na promessa), despencou na tabela. Mas a magnitude do constrangimento traz duas perguntas: 1 – por que funcionou no Fortaleza?. 2 – vale ficar com ele para o ano seguinte?

Quando Rogério chegou ao Flamengo, uma das minhas dúvidas era se obteria de um grupo consagrado a mesma subordinação de um elenco desconhecido. Se mandasse qualquer atleta do Fortaleza bater dez vezes a cabeça na trave, seria obedecido. Esta submissão, que inclui muita correria, não raro disfarça buracos e engana pela televisão. Fora que, quando uma grande presepada ocorria, ficava distante do grande público. Some-se a isso o fato de que, entre os tantos antipatizantes na mídia, Rogério C tem um círculo de confiança que o protege e elogia. Conseguiu, assim, uma junção favorável a erguer seu nome e desviar os olhos das temeridades. Além disso, o Fortaleza se estruturou bem e, com o sucessor Vojvoda, tem uma temporada ainda mais sólida. Portanto, não era apenas mérito de Rogério, muito menos dependência de seu trabalho.

Quanto à segunda, a resposta só pode ser NÃO. Rogério C é um “auto-spoiler”. Mesmo com elenco (que ele já anda culpando) e tempo, o final será o mesmo. Se Cuca é o sanduíche do Subway (mas campeão sem ajuda adversária), Rogério é como os pratos frustrados dos amadores de reality show. Mistura ingredientes e temperos improváveis para disfarçar a inaptidão como “ousadia”. Pior: assim como Michael Scott na série The Office, falta quem lhe diga que não é capaz como pensa. Mas, sabe-se lá como, o personagem de Steve Carell conseguia resultados. Pena que o futebol não é uma sitcom fictícia. O escritório tricolor já é um desastre. Com Rogério C, é falência na certa. Se não agora, 2022 é logo ali.

*de Gustavo Fernandes, sem considerar a família Mironga.

Um comentário em: “Como se fosse a primeira vez – o mesmo personagem, a mesma conclusão: fora, Rogério!

  1. 25 anos debaixo do mesmo teto. Sem malícia de vestiário. Sempre foi bajulado, tratando alguns técnicos, Ney Franco por exemplo, com aquela arrogância. O jogo virou, ele precisa dos caras. O forte dele nunca foi o coletivo, só focou SEMPRE no individual. A maior prova foi quando ele se aposentou e os goleiros reservas não tinha rodagem, por conta da busca incessante de números para deixar na marca individual. Todos lembram quando Zetti nas partidas menores, deixava os reservas jogarem.
    Para alguns ( não me incluo nessa) foi Mito
    Para mim como treinador é MICO

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