As aparências – e até vitórias – enganam (mas não para sempre)

Créditos da imagem: Alexandre Vidal/Flamengo

O leitor perdeu a conta de quantas vezes leu ou escutou sobre o “ótimo trabalho” de um técnico nos primeiros jogos, com este sendo detonado (até demitido) semanas depois. Renato Gaúcho, tema da ótima coluna do colega Jorge, é o expoente atual deste deja vu. Recebeu odes de quem, agora, decreta o que já seria possível antever quando chegou: ao contrário de Domenéc e Rogério Ceni, o ex-Grêmio era um “downgrade” consciente. Quem viu mais que isso só pode culpar a si mesmo pela auto-desinformação.

Pode parecer capricho semântico, mas há diferença significativa entre “bom começo de trabalho” e “bom começo”. Resultados iniciais favoráveis podem advir de fatores alheios aos métodos. A começar pela superconcentração para mostrar serviço ao novo chefe. Treinadores mais rodados sabem prorrogar seus efeitos com preleções para transformá-la em doping emocional. Cria-se uma evolução por simbiose. Concentrados e motivados, os atletas melhoram o desempenho individual (inclusive correndo para tapar buracos). Com placares favoráveis, a confiança mantém o foco aguçado e as sensações seguem positivas. Até que ocorre o inevitável resultado decepcionante e o elevador entra em modo descida. Menos confiança, menos concentração, menos pontos na tabela, menos um técnico empregado. E nem falamos de tática.

Também há barreiras para quem vai além do impulso psicológico. Acostumados a uma certa rotina, os adversários e seus técnicos podem se confundir com as novas diretrizes. Só que isso traz uma inconveniência: ninguém se incomoda com quem só perde, mas se ganha todos procurarão anular seus pontos fortes e explorar os fracos. É quando se vê a capacidade de ajuste do treinador e de seu elenco. Se ambos forem competentes, desenvolverão alternativas ao jogo manjado. Do contrário, seguirão inertes ou verão o Plano B fracassar. O jogador que desequilibrava será bloqueado. A defesa impecável será vazada constantemente. Com sorte, esta encruzilhada acontece depois de um campeonato conquistado. Como foi com o ultrapassado Felipão em 2018. Ou com Crespo na “Copa do Mundo” paulista deste ano.

Salvo exceções, o trabalho de um treinador só deve receber notas positivas convictas depois de meia temporada – e olhe lá. Especialmente se for um trabalho de real magnitude a desenvolver. Atalhos de eficiência podem ocorrer, como o Flamengo de 2019. Mesmo assim, a ajuda de Pablo Marí (um zagueiro reserva na Europa, mas cujo posicionamento caiu como uma luva) e o baixo nível nacional ajudaram demais. Tanto que, no Benfica, Jorge Jesus levou uma temporada para dar seu toque ao time. Nem por isso deixou de tomar duas chucrutadas bávaras na Champions League. Pep Guardiola e Jurgen Klopp, os dois melhores da profissão, levaram um ano para montar City e Liverpool nos moldes desejados. A questão básica é diferenciar um Guardiola de um Fernando Diniz, para o qual nem dez anos bastam.

São coisas que o torcedor deve ter em mente por si – com uma carona desta coluna. Se depender da imprensa caça-cliques, cairá nas manchetes “saiba como” preparadas com antecedência. Assim o jornalista agrada ao técnico e ao clube, garantindo o progresso da própria carreira. Hoje, setorista. Amanhã, comentarista ou assessor de imprensa do próprio clube das notícias felizes. Sim, o consagrado “me ajuda a te ajudar”. Faça parte do bloco dos que atrapalham. Um riso desavisado não vale mais que a cara de tacho que o segue. Antes desconfiado que bobo alegre.

Um comentário em: “As aparências – e até vitórias – enganam (mas não para sempre)

  1. Boa Tarde.
    O texto acima, tem tudo a ver com o Renato Gaúcho.entre outros.
    Alguém aqui em sã cosnciência, imagina a Alemanha, contratando o Felipão para a seleção deles após o 7X1 ?? Então….foi o que o CRF, fez. O RG, em 2019 levou uma surra do JJ (10X2), no confronto direto com um histórico 5×0 em semi-final de Libertadores, lembram ? No inicio de 2019, deu uma esnobada no Fla. Por isso até, o Fla, contratou o Abel Braga.
    Em 2020, não ganhou nenhum confronto do FLA (1X1 no Rio) e perdeu em POA (2X4). Ele, perdeu os dois jogos das Finais da CdB, contra o Palmeiras, do mesmo Abel Ferreira, lembram ? Sempre deu de ombros para o Campeonato Brasileiro, sabem por quê ? Porque, é um campeonato de REGULARIDADE. Em tese, é mais fácil ganhar Copas. Nunca gostou de estudar, fez o curso da CBF, pois teve uma repercussão negativa, quando ele disse que não iria fazer. No dia 23.11, confronto com o Grêmio, teve atitudes bem desrespeitosas com o Fla, pois está com pena do Grêmio que será rebaixado, problema do Grêmio.
    O Fla, poderia ser lider do BR21, se não fosse os empates que tivemos, quando tinhamos os jogos nas mãos.
    Obs: Relação dos empates para os que não se lembram:
    Cuiabá – 0X0 (C), Não conseguiu furar a retranca.
    América – 1×1 (F), vencíamos até aos 46min do segundo tempo.
    Chape – 2×2 (F), jogamos desde os 15min do segundo tempo com 1 jogador a mais.
    Ath/PR – 2X2 (F), tomamos o gol de empate nos acréscimos.
    Grêmio – 2×2 (F), abrimos 0x2, ele, tirou o Vitinho, o melhor em campo e que havia feito os dois gols e cedeu o empate.
    Ceará – 1×1 (F), esnobou o BR21, achou de daria para recuperar.
    E não fez questão de ganhar do Grêmio (sempre ele), no Maracanã. 0x1 (C).
    Vejam, quantos pontos, o Fla jogou no lixo!
    Alguns dirão: “Na maioria, houve erros de arbitragens, sim houve. Porém, se o time é bem treinado e o técnico, tem estratéigas, consegue driblar até isso e vence na maioria.

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