Próximo técnico do São Paulo: entrando de gaiato?

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Pergunta-se “quem vai treinar o São Paulo?”. Errado. A indagação deveria ser “quem vai ser trouxa de treinar o São Paulo?”. Nunca entre num navio sem saber pra onde vai. Depois, pra sair no meio da viagem, só saltando fora – ou sendo colocado na prancha. O SS Morumbi deveria se chamar SOS Jardim Leonor. Está cada vez mais encalhado e o novo capitão fala em montar comissões – rebatizadas como “câmaras setoriais”. Elas abrigarão o maior número possível de conselheiros. Especialmente o da turma do “baba, baby, baba”. Cuma? Explico: os remanescentes da turma de deslumbrados que, na década retrasada, babavam com os causos do almirante Juvenal. O novo SPFC é um barco velho, porcamente maquiado.

Os torcedores, passageiros da agonia, esperam uma grande limpa no elenco. Como aquelas em que Juvenal mandava embora as tralhas que ele mesmo contratava. Sempre com pé rapado. Entre medalhões, a norma era Clemente Rodríguez. Sim, o que passou dois anos fazendo academia em Cotia. Pra rescindir com quem ganha alto, só pagando alto. Ainda mais se o sobrepeso se chamar Daniel Alves. Nenhum time europeu queria assinar por mais de um ano com ele. O tricolor pode-tudo ofereceu três anos e um dinheiro que não tinha. A torcida não quis saber. Tava “felizona”, achando que os títulos viriam por osmose. Não vieram. Só os aborrecimentos que ele já provocava em Barcelona, mas eram relevados porque sabiam o segredo: não deixar que virasse o dono do time. No SPFC, ele veio pra ser o dono do navio. Inclusive indicando o timoneiro.

Supondo que consiga se livrar de parte da carga pesada, repor vai ser difícil. Como disse, os encerramentos amigáveis não serão gratuitos. A folga do caixa vai cobrir os atrasados com quem ficar. O são-paulino continuará vendo um elenco curto e mal suprido. Nenhum jogador de velocidade, tirando um que ficou dois anos parado – e parecia mais um dublê de Mário Tilico. Reservas incapazes de começar jogando sem se marear. Seguirá apelando a jovens grumetes – que ficam comuns na medida em que os navios adversários aprendem a guerrear contra eles. Paradoxalmente, o esquema de Dr Albieri Diniz era o único capaz de fazer com que parecessem melhores do que são. Assim como, depois de estourado, foi capaz de fazer com que pareçam piores do que são. Com outro no leme, a nau não ficaria à deriva como ficou. Apenas seguiria, como uma caravela surrada, ao medíocre destino final.

Essa é a perspectiva de quem chegar. Se for um revolucionário, ainda que mais competente que Diniz (não é difícil), logo perceberá que a revolução já foi derrotada. Se for um ortodoxo, tem tudo pra lembrar Tiago Nunes perdido no Corinthians. Já um medalhão pode até sair firme na base dos velhos clichês (preleções emocionantes e tal), mas depois descobrem que nem bússola tem. Seja qual for o tipo, se estiver bem informado não subirá a bordo. Caso esteja titubeando, devo lembrá-lo que terá a companhia de Muricy Ramalho. Depois de ganhar enganando no SporTV, aceitou a proposta tricolor pra ser COOPONE (preciso explicar?). Melhor que correr o risco de descobrirem que é mais raso que Paulo Nunes comentando. Já deu sua cota no fracasso de janeiro, com uma conversa mais pras câmeras que pros atletas. Não faz nada e aparece em cima do trabalho alheio. Topam?

“Ah, mas você só fala e nunca sugere nada!” Engano seu, leitor. Como uma imagem fala mais que mil palavras, encerro com um profissional bastante adequado ao momento tricolor. Não tem experiência de navegação, mas sabe o que é ficar encalhado no tempo. Ei-lo!

Reprodução do filme “Feitiço do Tempo”

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